Descubra como a natureza, os gestos e o cotidiano alfabetizam nossos pequenos.
Por Grasiela Castro e Natália Costa
Desde os primeiros anos de vida, as crianças estão inseridas em um mundo envolvido pela linguagem e pela escrita. Na Educação Infantil, o letramento acontece de muitas maneiras e está presente nas experiências cotidianas. Ele se constrói:
- Nas contações de histórias;
- Nas conversas;
- Nas imagens;
- Nas músicas;
- Nas brincadeiras;
- Nos registros;
- Nos gestos;
- E nos movimentos.
A criança também lê quando observa uma ilustração e cria uma narrativa, quando reconhece seu nome, quando interpreta uma fotografia, quando acompanha uma história por meio das imagens ou quando utiliza o corpo para expressar aquilo que pensa e sente.


O corpo também comunica e produz sentidos. Ao correr, pular, dançar, fazer uma cambalhota, criar gestos, experimentar diferentes movimentos ou participar de uma brincadeira de faz de conta, a criança amplia suas formas de expressão e constrói diferentes maneiras de se relacionar e comunicar-se com o mundo.

“A leitura do mundo precede a leitura da palavra.”
-Paulo Freire
Ler o mundo antes das palavras também é descobrir a natureza:
Um dos pilares pedagógicos da Rede Cruzada é a relação com a natureza. Nesse contexto, pensamos o letramento também como uma possibilidade de ler o ambiente, perceber seus sinais, formular perguntas e construir significados a partir das experiências vividas.


Na unidade de São José do Vale do Rio Preto, na Região Serrana do Rio de Janeiro, somos privilegiados por contar com uma ampla área verde, que se transforma diariamente em espaço de investigação, brincadeira, descoberta e aprendizagem. Nesse ambiente, as crianças correm, pulam, sobem em árvores, coletam flores, folhas e sementes, observam o movimento dos insetos, acompanham os formigueiros, escutam o cantar dos pássaros e descobrem os frutos das árvores presentes no espaço, como amoras e jabuticabas. Cada uma dessas experiências pode se tornar uma oportunidade de leitura.
Ao observar uma formiga carregando uma folha, a criança pergunta para onde ela vai. Ao encontrar uma semente, investiga sua forma, textura e tamanho. Ao perceber que uma árvore oferece frutos em determinada época, começa a estabelecer relações entre tempo, natureza e transformação. Ao ouvir um pássaro, procura sua origem e tenta reconhecer seu canto. Ao coletar elementos do quintal, compara, classifica, conta, desenha e cria diferentes formas de registro.


Conheça a nossa prática pedagógica: Escrevendo letras iniciais com sementes
A turma do Pré II, chamada carinhosamente de sala Flor de girassol, desenvolve esse papel com muita maestria. Letramento e natureza caminham juntos, na prática podemos observar uma proposta que aconteceu no Pré escolar II, segundo o relato da Educadora Social referência, Natalia Costa.
“Começamos nossa caminhada pelo universo do letramento de um jeito especial, desde muito pequenos (a) as crianças do Cei Daschú (Unidade São José do vivenciam momentos onde o letramento e a natureza se encontram. Nesta proposta preparamos algumas bandeirinhas com a letra inicial do nome de cada criança, onde o grupo saiu para uma aventura pelos quintais da unidade.
Entre folhas, sementes e gravetos, cada criança foi convidada a observar, escolher e descobrir elementos para dar vida à sua letra. Assim, as letras deixaram de ser apenas traços no papel e ganharam textura, cor, natureza e significado. Cada criação tornou-se um pedacinho da identidade de quem a construiu.
Foi um encontro bonito entre a criança, seu nome e a natureza, mostrando que o letramento acontece no cotidiano de muitas formas: brincando, explorando, descobrindo e encontrando tesouros pelo caminho.

Assim, a natureza se torna um texto vivo a ser lido, interpretado e cuidado. Como nos ensinou Magda Soares, uma das maiores referências no estudo do letramento e da alfabetização no Brasil
“Letrar é ensinar a ler e escrever dentro de um contexto
onde a leitura tenha sentido e faça parte da vida”.
(Magda Soares)
Ao cultivar o olhar investigativo na infância, transformamos a curiosidade em aprendizado e a convivência com o meio ambiente em um ato de afeto, cidadania e respeito ao mundo.
Gostou? Se você gostou do texto, continue acompanhando as ações da Rede Cruzada:
Sobre os autores:

Grasiela Castro é pedagoga e atua como supervisora pedagógica na Unidade São José do Vale do Rio Preto.
Em seu trabalho, encontra nas brincadeiras, na natureza, nas histórias, na memória e nas experiências do cotidiano caminhos para construir aprendizagens significativas.
Acredita em uma educação que nasce da escuta, do olhar atento e das relações, valorizando as crianças, suas descobertas e as muitas formas de expressão que tornam cada experiência única.

Natalia Costa é educadora Social e há 11 anos constrói sua trajetória na Rede Cruzada, dedicando-se à educação e às muitas formas de viver a infância. Pedagoga e licenciada em Letras, acredita que educar também é observar, escutar, brincar e deixar-se surpreender pelas descobertas das crianças.
🔗 Leia também: Quando a infância encontra espaço para existir
Nos siga nas nossas redes sociais:

