Além de capacitar, momentos de formação fortalecem a prática docente e transformam o cotidiano da educação infantil na Rede Cruzada.
Entre planejamentos, cuidados, imprevistos e agendas a serem preenchidas, o cotidiano da creche vai acontecendo. Tudo se organiza, as rotinas se repetem, as demandas chegam e, quando a gente percebe, já está tudo quase no automático.
E é curioso como, nesse movimento, algumas coisas vão ficando em segundo plano. A formação continuada é uma delas. Não porque ela não seja importante, mas porque, no meio de tantas urgências, vamos atuando como se a prática docente fosse algo natural, como se bastasse estar ali, todos os dias, para o trabalho acontecer.


E é justamente aí que mora o perigo: o da falta de intencionalidade, o de não se perguntar mais sobre o que se faz, o de acreditar que a experiência, por si só, dá conta de tudo. Mas talvez o maior de todos seja o de perder, aos poucos, o encantamento com a prática.
Porque educar não é automático, não é repetição, não é só rotina. E é nesse ponto que a formação continuada volta a fazer sentido. Ela interrompe o fluxo, desorganiza certezas, provoca perguntas e, principalmente, nos convida a olhar de novo para as crianças, para o cotidiano e para nós mesmos.


As formações são espelhos da nossa prática, como se elas nos confrontassem com o que fazemos, assim, nos sentimos desafiadas a dar novos rumos para o nosso trabalho. São nesses momentos, através das trocas de experiências, que incentivamos nossos colegas, impulsionamos boas práticas pedagógicas e geramos novas ideias. É um grande “toró de ideias”.
O professor é um produtor de conhecimento, que se expande e se atualiza constantemente. Somos o cérebro da Educação. Se nós não alimentarmos esse cérebro, atrofiamos suas potencialidades.

Muitas das vezes, as formações pedagógicas também se tornam espaços de escuta sensível da realidade da sala de aula, que trazem muitos desafios. E, nesse sentido, educadores podem, unidos, solucionar essas questões por meio de um refinamento da técnica, por assim dizer.
“Eu sou porque nós somos.”
– Expressão da essência Ubuntu
A formação pedagógica é, então, essa possibilidade coletiva da filosofia Ubuntu e talvez, também, uma das formas mais potentes de se reencantar com a prática.
Autoras:

Gabrielle Ferreira é formada em licenciatura em filosofia pela UERJ, formanda em pedagogia pela Veiga de Almeida, já atuou como agente de apoio a educação especial na prefeitura do Rio de Janeiro.
Hoje ela atua como educadora da Rede Cruzada, se encantando através da infância com o cotidiano.

Thayná Pompeu é pedagoga, psicopedagoga e mestranda em Educação em Ciências e Matemática. Atua na formação de professores e na gestão pedagógica na Educação Infantil.
Apaixonada por práticas que conectam teoria e cotidiano, investiga formas de tornar a educação mais humana, significativa e possível.

