Formação continuada: entre rotinas e urgências, o que ainda nos faz educar? 

Colaboradores da Rede Cruzada fazendo atividades de corte e colagem, em ambiente aberto.

Entre planejamentos, cuidados, imprevistos e agendas a serem preenchidas, o cotidiano da creche vai acontecendo. Tudo se organiza, as rotinas se repetem, as demandas chegam e, quando a gente percebe, já está tudo quase no automático.

E é curioso como, nesse movimento, algumas coisas vão ficando em segundo plano. A formação continuada é uma delas. Não porque ela não seja importante,  mas porque, no meio de tantas urgências, vamos atuando como se a prática docente fosse algo natural, como se bastasse estar ali, todos os dias, para o trabalho acontecer.

Equipe pedagógica da unidade Cidade de Deus realizando oficina Expressão Corporal com a oficineira Dandara.
Equipe pedagógica da unidade Cidade de Deus realizando oficina Expressão Corporal com a oficineira Dandara.
Equipe pedagógica da unidade Cidade de Deus realizando roda de conversa com a gestora pedagógica.
Equipe pedagógica da unidade Cidade de Deus realizando roda de conversa com a gestora pedagógica.

E é justamente aí que mora o perigo: o da falta de intencionalidade, o de não se perguntar mais sobre o que se faz, o de acreditar que a experiência, por si só, dá conta de tudo. Mas talvez o maior de todos seja o de perder, aos poucos, o encantamento com a prática.

Porque educar não é automático, não é repetição, não é só rotina. E é nesse ponto que a formação continuada volta a fazer sentido. Ela interrompe o fluxo, desorganiza certezas, provoca perguntas e, principalmente, nos convida a olhar de novo para as crianças, para o cotidiano e para nós mesmos.

Equipe pedagógica da unidade São José do Vale do Rio Preto realizando roda de conversa com a gestora pedagógica.
Equipe pedagógica da unidade São José do Vale do Rio Preto realizando roda de conversa com a gestora pedagógica.
Equipe pedagógica da unidade Riachuelo realizando roda de conversa com a gestora pedagógica.
Equipe pedagógica da unidade Riachuelo realizando roda de conversa com a gestora pedagógica.

As formações são espelhos da nossa prática, como se elas nos confrontassem com o que fazemos, assim, nos sentimos desafiadas a dar novos rumos para o nosso trabalho. São nesses momentos, através das trocas de experiências, que incentivamos nossos colegas, impulsionamos boas práticas pedagógicas e geramos novas ideias. É um grande “toró de ideias”.

O professor é um produtor de conhecimento, que se expande e se atualiza constantemente. Somos o cérebro da Educação. Se nós não alimentarmos esse cérebro, atrofiamos suas potencialidades.

Equipe pedagógica da unidade Shopping Nova América após terminar a formação continuada
Equipe pedagógica da unidade Shopping Nova América após terminar a formação continuada

Muitas das vezes, as formações pedagógicas também se tornam espaços de escuta sensível da realidade da sala de aula, que trazem muitos desafios. E, nesse sentido, educadores podem, unidos, solucionar essas questões por meio de um refinamento da técnica, por assim dizer.

“Eu sou porque nós somos.”

– Expressão da essência Ubuntu

A formação pedagógica é, então, essa possibilidade coletiva da filosofia Ubuntu e talvez, também, uma das formas mais potentes de se reencantar com a prática.

Formação Continuada: autoras

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