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Unidade Bárbara Wright mobiliza sociedade buziana e conquista novos parceiros em prol da educação infantil

terça-feira, 16 de Maio de 2017

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Entrevista com Sônia Persiani, chef e proprietária do restauSonia Persianirante Cigalon, parceira e investidora da Cruzada.

No final de 2011, a Cruzada passou a fazer a gestão da Creche Barbara Wright, localizada em Búzios. Apesar da sólida relação entre a Cruzada e a família Apostol, instituidora da creche, a Cruzada ainda era bastante desconhecida pela sociedade buziana. Em 2015, diante dos inúmeros desafios a serem enfrentados, a coordenadora Márcia Alexandra articulou com o poder público e a sociedade civil uma frente de mobilização em rede, na busca de novas alternativas. Para isso realizou um “Café de Ideias”, evento que teve como objetivo a apresentação do trabalho da Cruzada, a troca de ideias entre os diferentes atores da sociedade, bem como esclarecer como é a composição de recursos que garantem a sustentabilidade da Unidade. Atualmente, parte deles provém da família instituidora e a outra parte é mobilizada junto a pessoas físicas e jurídicas e parcerias. São pessoas que compartilham do mesmo ideal da Cruzada, ou seja, acreditam na Educação Infantil como o meio mais eficaz para a transformação dos indivíduos.

Foi durante o Café de Ideias que a chef de cozinha e proprietária do restaurante Cigalon, Sônia Persiani, teve seu primeiro contato com a instituição e, ali, estabeleceu uma conexão profunda, que vem se desenvolvendo numa sólida relação de parceria e confiança. Entusiasta do trabalho da Cruzada, Sônia abraçou a causa vem colaborando ativamente nas ações da unidade. Confira nessa entrevista o relato de experiência de Sônia Persiani:

CRUZADA – Como foi a sua aproximação com a Cruzada e de que forma você começou a se envolver com a Creche Barbara Wright?

Participei do Café de Ideias e, naturalmente, limitei a minha atuação ao que eu sei fazer, que é a área de catering. A primeira ideia que surgiu, na ocasião, foi promover um evento beneficente na cidade. Então, junto com outras pessoas, começamos a articular contribuições para o evento com outros empresários da cidade para a realização desse coquetel, que aconteceu no Porto da Barra, em 2015. Conseguimos doações de alimentação e bebidas além de apoio operacional para a realização do evento. Foi um grande envolvimento e, quando falávamos a respeito da causa da Cruzada, as portas se abriam.

Apesar do excelente trabalho, a Cruzada não é tão conhecida na cidade, exceto por quem está envolvido com crianças, mas a Creche Barbara Wright se destaca de todas as outras pelo grau de profissionalismo e dedicação que tem, desde a coordenação até a profissional que recebe as crianças na porta. Existe um comprometimento visível e ele não termina apenas na criança, às 16h45, mas transfere todo esse conhecimento também para as famílias.

CRUZADA – Você já conhecia o trabalho da Cruzada antes do Café de Ideias?

Não. Eu não conhecia a Cruzada. Foi a Ângela Brant, coordenadora de novos projetos e mobilização, quem me convidou para o Café com Ideias e foi a primeira vez que entrei na creche. Existem outras instituições com as quais eu estou envolvida e contribuo, mas não conheço o trabalho pessoalmente, como a Cruz Vermelha e o Médicos Sem Fronteiras. Nós doamos, mas não nos envolvemos. Já na Creche Barbara Wright, você vê essas crianças todos os dias e se pergunta: quantas delas tem a oportunidade de estar num lugar como esse num mundo tão corroído? Lá você vê essas crianças sendo cuidadas e comprometidas com valores e, então, pensei: por que não posso fazer parte desse projeto?

CRUZADA – Como se deu a sua participação na instituição e qual sua percepção sobre esse trabalho de articulação comunitária?

Toda a comunidade levantou a bandeira da Cruzada, até mesmo as pessoas que não tem filhos em idade escolar se envolveram na causa e se mobilizaram para vender os convites para o coquetel. Temos que lembrar que Búzios é uma cidade que sofre uma grande sazonalidade e o ano de 2015 foi muito difícil, mas mesmo assim a Creche encontrou o apoio da sociedade, que esteve ali.

É necessário destacar que a reputação da Creche Barbara Wright está acima de qualquer suspeita e isso precisa ser reconhecido como fator de sucesso pois, muitas vezes, pedidos de apoio para outras instituições, com causas tão nobres quanto as da Cruzada, não são tão bem recebidos, mas quando eu falo em nome da Creche não há resistência do empresariado. Há sempre algum tipo de colaboração, ninguém nunca disse ‘não’ e conseguimos uma boa presença no coquetel do Porto da Barra.

Já em 2016 a (coordenadora) Márcia teve a ideia de realizarmos uma grande festa junina, o que achei genial, pois toda a cidade poderia se encontrar. A mobilização para a produção foi imensa e envolveu toda a sociedade, o empresariado da cidade, pais e funcionários da unidade. A festa teve uma grande variedade de comidas, bebidas e atrações. Os comerciantes que não puderam colaborar diretamente na produção, contribuíram com a compra de ingressos. Vendemos mais de 300 convites e, mesmo num dia de chuva e vento como foi o da festa, ela estava lotada. Se tivéssemos folego para ficar mais 3 horas, os convidados teriam ficado também. Foi muito divertido! Uma coisa de que me orgulho de morar em Búzios é que, sendo uma cidade pequena, nós conhecemos todos e podemos, juntos, abraçar um ideal. Seria ótimo que essa festa junina viesse a fazer parte do calendário oficial da cidade.

CRUZADA – Na sua opinião, esse formato de participação da sociedade funciona?

Hoje, Búzios tem mais de 30 mil habitantes e nem todos se conhecem. Tenho visto que somos quase sempre os mesmos que participamos dessa causa – e de outras – aqui em Búzios. Mesmo que a gente tenha conseguido trazer muitas pessoas, por volta de 300 convites vendidos, considerando o número de habitantes, ainda falta muita gente e não sei dizer se é por falta de conhecimento ou de sensibilidade por uma causa tão fundamental. Além disso, ainda que a arrecadação com os eventos tenha sido boa, os custos fixos têm aumentado muito e, por isso, é importante obter mais apoio, afinal, manter uma criança ali é bastante oneroso.

Penso que se você quer resultados diferentes tem que mudar as suas atitudes. Nós, na América Latina, somos muito habituados a reclamar dos governos. Claro que precisamos cobrá-los, mas também é claro como a água que o governo não pode fazer tudo sozinho. Na minha visão, todos nós temos a responsabilidade de criar um futuro melhor para as crianças.

 

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