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A Importância de Investir desde Cedo

quarta-feira, 25 de Abril de 2018

O investimento na primeira infância não é apenas a coisa certa a ser feita do ponto de vista ético, mas também a coisa inteligente a ser feita do ponto de vista econômico para as crianças, bem como para suas famílias, suas comunidades e a sociedade em geral.

Os primeiros anos de uma criança apresentam uma janela única de oportunidade para abordar a desigualdade,  quebrar o ciclo da pobreza e melhorar uma ampla gama de resultados mais tarde na vida. Uma recente pesquisa do cérebro sugere a necessidade de abordagens holísticas para a aprendizagem, crescimento e desenvolvimento, reconhecendo que o bem-estar físico e intelectual de crianças pequenas, bem como seu desenvolvimento socio-emocional e cognitivo, está interrelacionado. Para aproveitar completamente futuras oportunidades na vida e tornarem-se membros produtivos da sociedade, as crianças, até ao final da primeira infância, devem ser: saudáveis e bem nutridas; devidamente apegadas a seus cuidadores; capazes de interagir positivamente com suas famílias, professores e colegas; capazes de se comunicar em sua língua nativa; e prontas para aprender no ensino primário.

Falhas no início do desenvolvimento infantil comprometem a capacidade da criança para atingir essas metas importantes e alcançar seu pleno potencial na vida. Intervenções nos primeiros anos têm o potencial de compensar as tendências negativas e fornecer às crianças mais oportunidades de uma qualidade ideal de aprendizagem, crescimento físico e saúde, e consequentemente aumentar sua produtividade ao longo da vida. Novas  evidências biológicas e sociais oferecem uma riqueza de recursos com estratégias inovadoras que promovem o desenvolvimento e crescimento ideal da criança. Programas que agregam serviços (tais como nutrição e estimulação psicossocial) podem ter efeitos e taxas de retorno extremamente benéficos. Infelizmente, a maioria dos países deixa a desejar em sua prestação de serviços essenciais para as crianças e suas famílias. O desafio é desenvolver modelos rentáveis e escaláveis para prestar estes serviços em países de baixa e média renda.

O desenvolvimento na primeira infância (DPI), se refere ao crescimento e desenvolvimento inicial da criança desde a gravidez de uma mulher até o ingresso da criança à escola primária.  Estes serviços são destinados a abordar a  saúde, necessidades nutricionais, socioemocionais, cognitivas e linguísticas durante este período. Eles são essenciais porque os primeiros anos de vida de uma criança constituem a base para a aprendizagem futura, boa saúde e bem-estar, bem como a capacidade da criança para trabalhar bem com os demais na vida adulta.

Existe um consenso emergente de que os investimentos no DPI devem ser prioridade e poderão trazer grandes retornos. Um crescente acervo de trabalhos da literatura demonstra que os retornos sobre os investimentos em crianças pequenas são substanciais, sobretudo quando comparado aos investimentos realizados em fases posteriores da vida. Por outro lado, a falta de investimento pode levar a custos muitas vezes irreversíveis, não só para os  indivíduos e suas famílias, mas também para as comunidades e a sociedade em geral.

Por que os países deixam a desejar em seus investimentos no DPI? Um fator é o fato de que os países geralmente operam sob restrições orçamentárias rigorosas. Mas a experiência também sugere que outro fator está relacionado ao fato de que o DPI é altamente complexo e multissetorial. Ainda há falta de conhecimento dos benefícios do DPI e de como os países podem criar políticas de sucesso e programas escaláveis nesta área.

Vários parceiros para o desenvolvimento introduziram estruturas abrangentes para atender às necessidades holísticas da primeira infância. O UNICEF concentra-se em áreas-chave de intervenção DPI inclusive saúde, nutrição, HIV / AIDS, serviços básicos de educação e de proteção. A Organização Mundial da Saúde (OMS)  estabeleceu diretrizes específicas para cada fase de desenvolvimento, inclusive a gravidez, pós-parto, lactente, criança pequena e cuidados de saúde da criança. Essas diretrizes ajudam os profissionais de serviços a fornecer melhores resultados de saúde em subperíodos específicos. Além disso, a Parceria para a Saúde Materna, Neonatal e Infantil  (PMNCH), liderada pela OMS e Universidade Aga Khan, fornece, aos decisores políticos, informações específicas sobre as intervenções essenciais de saúde para lidar com as principais causas de mortes maternas, neonatais e infantis.  No Banco Mundial, o Early Childhood Development Guide for Policy Dialogue and Project Preparation apresenta pontos de entrada estratégicos para a implementação de um programa DPI eficaz nos países, inclusive os programas  baseados em centros, programas domiciliares, e de transferência de renda, comunicação e campanhas de mídia voltadas para famílias com crianças pequenas.

Baseando-se em uma revisão de evidências científicas e experiências práticas, o Banco Mundial desenvolveu em 2010 a estrutura STEP, que é uma maneira simples de ver como os países podem ajudar as pessoas a passarem a ter uma vida produtiva. STEP significa Skills Toward Employment and Productivity [Qualificações visando Emprego e Produtividade]. A estrutura identificou cinco etapas pelas quais indivíduos podem progredir e aprender ao longo da vida. Este documento utiliza o DPI como a primeira dessas cinco etapas.

Este documento baseia-se nas estruturas existentes sobre os impactos das intervenções DPI. Resume parte da ampla e extensa literatura existente sobre este tema com o objetivo de identificar intervenções-chave necessárias para as crianças. O documento destina-se a fornecer uma introdução acessível para intervenções e serviços integrados que podem ajudar os decisores políticos e profissionais a pensarem sobre como investir efetivamente no DPI.

Além de identificar as principais intervenções, o documento descreve quatro princípios que podem ajudar os países a elaborar e implementar programas e políticas fortes de DPI. Os países devem: (i) preparar um diagnóstico e  estratégia DPI; (ii) implementar amplamente por meio da coordenação; (iii) criar sinergias e reduzir custos por meio de intervenções integradas; e (iv) monitorar, avaliar e ampliar intervenções bem sucedidas.

Em termos de intervenções, dentro do período DPI, 25 intervenções-chave são identificadas como essenciais para o crescimento e desenvolvimento de uma criança. Para cada intervenção, são apresentados impactos e custos  ilustrativos. São baseados em evidências existentes e destinados como meros indicadores. O documento sugere que
estas intervenções podem ser executadas por meio de cinco pacotes integrados em diferentes fases na vida de uma criança. Esses cinco pacotes de intervenções são: (i) o pacote apoio à família, que pode ser disponibilizado durante a fase DPI, (ii) o pacote gravidez, (iii) o pacote nascimento (do nascimento a seis meses), (iv) o pacote saúde e  desenvolvimento infantil, e (v) o pacote pré-escola.

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Intervenções-chave para crianças pequenas e famílais

 

FONTE: Investimento na primeira infância com grandes retornos – Maria Cecília Souto Vidigal

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