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André Peres: de “investido” a investidor

segunda-feira, 3 de abril de 2017

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Morador da comunidade de Bandeira 2, no entorno do Shopping Nova América, André foi aluno do curso de jardinagem da Unidade Plantando o Amanhã, em 1996. Após construir uma carreira bem-sucedida no mercado de seguros, ele abriu seu próprio negócio e, hoje, com 35 anos, se tornou também um mantenedor da Rede Cruzada.

Na minha família somos eu, meu pai, minha mãe e mais 4 irmãos, sendo que a caçula é especial, tem síndrome de down. Como meus pais precisavam trabalhar fora, nós tivemos que cuidar uns dos outros, sempre com a ajuda de um vizinho ou um parente.

Comecei a trabalhar muito cedo. Com 7 anos eu já fazia bico de flanelinha e, na ocasião, uma moça viu que eu era muito tagarela e me convidou para trabalhar com ela na feira. Ainda criança também fui camelô no Méier, ambulante na praia e no trem e trabalhei como ajudante de padeiro. A minha vida foi assim até os 14 anos, quando eu entrei no Plantando o Amanhã, em 1996, para fazer o curso de jardinagem.

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Na época, eu participei de um processo seletivo na SulAmérica Seguros, que era uma das empresas parceiras da Cruzada. Eles tinham 15 vagas abertas para office boy na empresa e eu tive a felicidade de passar. Entrei em 1997, com 15 anos. Aos 18 anos consegui minha primeira promoção e, quando fiz 21 anos, fui para área comercial e, aos 23 eu me tornei gerente comercial e atuei na função por 12 anos. Ao todo fiquei 17 anos na companhia e aprendi tudo sobre Seguros.

Saí da SulAmérica em 2014 para assumir um novo desafio como gerente regional da Caixa Seguradora para o RJ, MG e ES. Fiquei 1 ano lá e foi quando decidi abrir meu próprio negócio. Em 2015, eu abri a Vertseg, a minha consultoria em seguros. Paralelamente ao novo empreendimento, passei a ser professor da FUNENSEG (Fundação Nacional de Seguros), principal formadora de profissionais de seguros do Brasil e, em 2016, abri uma empresa de entregas rápidas, a VeloxLog Express.

Ao olhar minha trajetória, me passa um filme pela cabeça. Quando eu entrei no Plantando o Amanhã, aos 14 anos, eu tinha alguns amigos da comunidade que eram envolvidos com o tráfico e, só no ano passado, tive seis conhecidos que perderam a vida. Só isso já dá um panorama do que significou para mim essa oportunidade. A Cruzada não mudou só a minha história de vida. Ela mudou a história de vida da minha família. Porque quando ela muda a vida de um jovem, ela atinge o pai, a mãe e os irmãos. No meu caso, a Cruzada mudou a vida de 7 pessoas.

É um sentimento de gratidão que não se paga, porque eu poderia ter tomado outro rumo, sem seguir nos estudos. Ao fazer o curso de jardinagem, na época, a Cruzada também ajudou a lapidar isso em mim, por exigir a contrapartida dos estudos e das boas notas. Então a metodologia não é só dar – eles também exigiam e isso ajudou na minha educação. Lá também aprendi a trabalhar em grupo e isso foi muito importante na minha formação profissional.

Eu sempre sonhei em voltar para a Cruzada ajudando de alguma maneira; se um dia eu fosse empresário, gostaria de voltar contratando. Hoje, eu já estou perto dessa possibilidade. É possível mudar a vida das pessoas com as palavras, mas, principalmente, no trabalho com comunidades carentes, é necessário investimento financeiro também.

Eu vou fazer agora em abril a minha primeira doação para a Cruzada. É fantástico poder me tornar um mantenedor dessa instituição, passando de investido a investidor.

Assim que eu abri minha empresa, combinei com meu sócio que iríamos devolver uma parte do ganho da nossa seguradora para a sociedade. Para isso, colocamos no escopo de negócios da Vertseg que todo cliente que fizer seguro conosco contribuirá com um percentual para a Rede Cruzada. Esse é o meu objetivo: contribuir com a Rede Cruzada não só dedicando tempo e contando a minha história, mas também, com recursos financeiros.

Considero que, diante de todas as oportunidades que eu tive, eu só consegui fazer acontecer porque eu estava preparado. Eu penso até hoje: para eu ser bom no que eu faço eu preciso me qualificar. Eu acredito que a qualificação e o crescimento acadêmico são maneiras que a gente tem de mudar o mundo, pois o principal processo de mudança no nosso planeta está na educação. A partir do momento em que você forma as pessoas e leva conhecimento para elas, você abre a possibilidade delas escolherem e adotarem uma visão mais abrangente do que é o mundo. Eu considero que foi isso que aconteceu comigo.

No entanto, de tudo que eu fiz na minha vida, o meu filho Gabriel foi a melhor coisa. Ele é o amor da minha vida e eu amo ser pai. Eu falo para todo mundo que o Gabriel é uma criança extremamente sortuda. Ele vive, hoje, uma realidade de uma minoria e eu fico muito feliz de poder proporcionar essa vida para ele. Por outro lado, eu sempre levo meu filho para a comunidade, para conviver com a minha família, porque todos são daqui e essa é a vida da maioria das pessoas do nosso país.

Eu quero dar ao Gabriel o que eu tive – que foi educação – porque o resto ele vai conseguir seguir bem. Eu tenho certeza que ele será também um embaixador da Rede Cruzada, das boas novas para a questão social. Vou passar para ele todos os valores que eu aprendi como filho dos meus pais e, também, tudo que aprendi ao longo da minha vida e na Cruzada – que costumo dizer que foi minha segunda família.

Meus pais sempre me mantiveram na “rédea curta”. Por mais que eu tenha precisado trabalhar quando era criança, eles nunca deixaram que eu parasse de estudar e, por isso, eu os agradeço muito. Eles diziam: ‘Você quer trabalhar na feira? Você gosta? Quer ganhar seu dinheiro para comprar sua pipa – tudo bem. Mas tem que estudar’. Disso eles nunca abriram mão e eu tive uma família que sempre esteve ao meu lado, muito presente.

Tudo que conquistei é mérito meu sim, claro. Mas, se eu não tivesse tido as oportunidades que tive, eu não teria chegado onde cheguei.

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